O caminho do Symbian: de líder absoluto nos celulares ao fim da linha em 2013

Antes de Android e iOS dominarem quase todo o mercado de smartphones, o sistema operacional mais popular do planeta era o Symbian. Criado no fim dos anos 1990, ele equipou centenas de milhões de aparelhos, foi adotado por diversas fabricantes e chegou a concentrar perto de 70% das vendas mundiais de celulares inteligentes. Hoje, porém, permanece apenas como lembrança para entusiastas e usuários que ainda mantêm modelos antigos em funcionamento.

Origem ligada aos PDAs

A trajetória começa em 1989, quando a empresa britânica Psion lança o sistema EPOC para seus assistentes pessoais digitais (PDAs). O fundador David Potter liderava o projeto. Em 1998, a companhia é rebatizada como Symbian e passa a focar em telefones celulares, recebendo investimentos de Nokia, Siemens, Ericsson e Motorola. A base do software utilizava uma versão própria de C++, o que ajudou na difusão inicial, mas depois contribuiu para a fragmentação.

Primeiros smartphones

Modelos como o Ericsson R380 e o Nokia 9210 Communicator deram visibilidade ao sistema no começo dos anos 2000. Eles já eram divulgados como “smartphones”, conceito ainda novo na época.

Ascensão e números impressionantes

A década de 2000 marcou o auge do Symbian:

  • Foram 500 mil unidades vendidas em 2001 e 2,1 milhões em 2002;
  • Ao longo da década, 450 milhões de dispositivos chegaram ao consumidor;
  • Antes da estreia de Android e iOS, em 2007, o sistema respondia por quase 70% dos smartphones comercializados;
  • Concorrentes diretos na época eram Windows CE (12%), BlackBerry (10%), soluções baseadas em Linux (10%) e o incipiente iPhone (3%);
  • A Nokia representava cerca de metade de todos os aparelhos com Symbian e ainda detinha mais de 35% do mercado global em 2010.

Nesse período, o Nokia N95 tornou-se um dos produtos mais emblemáticos, trazendo câmera de 5 MP e design slider.

Problemas internos e nova concorrência

A partir de 2007, o cenário muda. O primeiro iPhone e os primeiros celulares com Android redefinem as expectativas dos consumidores. O próprio Symbian enfrentava bugs, falhas de segurança e, principalmente, diversas versões incompatíveis entre si, resultado da liberdade dada a cada fabricante.

Para tentar contornar a situação, a Nokia comprou as participações de outras marcas em dezembro de 2008 e criou a Symbian Foundation, transformando a plataforma em código aberto e oficializando a interface S60. Em 2009 chegou o Symbian^1, primeiro pensado para telas sensíveis ao toque. No ano seguinte, o Symbian^3 tornou-se gratuito e recebeu as atualizações Anna e Belle em 2011.

Retirada gradual do mercado

Mesmo com os esforços, o declínio foi rápido. Em 2011, o novo CEO da Nokia, Stephen Elop, firmou parceria com a Microsoft para priorizar o Windows Phone. O último lançamento equipado de fábrica com Symbian foi o Nokia 808 PureView, apresentado na Mobile World Congress de 2012. Em junho de 2013, a Nokia encerrou a venda desses aparelhos e, na virada para 2014, terminou o suporte oficial.

Uso residual e motivos do fracasso

Uma comunidade reduzida ainda mantém celulares Symbian ativos, mas o uso é limitado: poucos aplicativos permanecem on-line e redes 2G ou 3G, base da maioria desses modelos, estão sendo desligadas em vários países. Entre as principais razões apontadas para o insucesso estão:

  • Desenvolvimento considerado estagnado frente à evolução do mercado;
  • Dificuldade para criar novos aplicativos e presença constante de bugs e falhas de segurança;
  • Fragmentação extrema antes da compra pela Nokia, que comprometia a compatibilidade de software;
  • Competição agressiva de Android e iOS, além de outras tentativas que também acabaram sucumbindo, como Windows Phone.

Com o fim do suporte, o Symbian tornou-se parte da história da telefonia móvel: um sistema que ajudou a definir o conceito de smartphone, mas não conseguiu acompanhar a rápida transformação que ele mesmo ajudou a iniciar.

Com informações de TecMundo