Uma sondagem conduzida nos Estados Unidos mostra que 40% dos trabalhadores entrevistados já receberam tarefas de baixa qualidade produzidas por colegas com auxílio de inteligência artificial. Esse tipo de entrega ganhou o apelido de “workslop” – junção das palavras “work” (trabalho) e “slop” (porcaria).
Detalhes do levantamento
O estudo foi realizado pela Harvard Business Review, em parceria com o Stanford Social Media Lab, e contou com a participação de 1.150 pessoas. Segundo os autores, em média 15,4% do material recebido pelos respondentes se encaixa na definição de workslop.
A pesquisa identificou ainda que:
- 40% dos casos envolvem troca de workslop entre colegas do mesmo nível hierárquico;
- 18% chegam diretamente aos superiores;
- cada peça de trabalho ruim consome, em média, 1 hora e 56 minutos de correção;
- em uma empresa com 10 mil funcionários, o desperdício anual pode alcançar US$ 9 milhões (aproximadamente R$ 48 milhões).
Efeitos sobre quem recebe
O impacto não se limita ao tempo perdido. Entre os participantes:
- 53% relataram irritação ao receber material inadequado;
- 38% ficaram confusos;
- 22% disseram sentir-se ofendidos.
Mais da metade dos profissionais passou a enxergar o autor do workslop como menos criativo, competente ou confiável; 34% chegaram a informar o problema à chefia.
Imagem: Vitaly Gariev
Uso da IA no ambiente corporativo
De acordo com a Harvard Business Review, muitas empresas incentivaram o uso de ferramentas de IA para melhorar apresentações, relatórios ou códigos. Porém, parte dos funcionários adotou a tecnologia como atalho, gerando conteúdos que parecem adequados, mas carecem de profundidade e obrigam colegas a refazer o serviço.
A publicação observa que, embora a adoção de IA no trabalho tenha quase dobrado desde 2023, 95% dos projetos não entregam retorno financeiro ou de produtividade – e o workslop seria um dos fatores para esse baixo desempenho.
Com informações de Tecnoblog
