Europol usa IA e resgata 51 crianças vítimas de exploração sexual online

A Europol revelou nesta segunda-feira (22) que ferramentas de inteligência artificial forense permitiram identificar e libertar 51 crianças submetidas a exploração sexual na internet, além de levar à prisão de dezenas de suspeitos. Ao todo, 60 pessoas foram processadas criminalmente em vários países.

Entre 8 e 19 de setembro, especialistas de 22 nações trabalharam presencialmente na sede da agência, em Haia (Holanda), analisando 5 mil arquivos de abuso sexual infantil (CSAM) recolhidos na rede. Segundo a Europol, o uso de IA acelerou o cruzamento de evidências armazenadas em servidores de diferentes locais e distribuídas por múltiplas plataformas.

Exemplo de caso desvendado

Em um dos episódios, o sistema detectou que um vídeo em que uma menina de cinco anos era abusada apresentava as mesmas vítimas e agressor em outra gravação. A tecnologia indicou que o material foi produzido na França, permitindo que investigadores franceses localizassem tanto a criança quanto o autor dos crimes. Na sequência, descobriu-se a participação do homem na tortura e abuso de mais duas crianças, com o envolvimento de outros quatro suspeitos que se comunicavam em grupos criptografados.

Operação faz parte da VIDTF17

A ação integra a 17ª edição da Victim Identification Task Force (VIDTF17), criada em 2014. Desde então, a força-tarefa já analisou 8.005 conjuntos de dados, compartilhou 2.266 pacotes de informações com parceiros e mantém um acervo de mais de 111 milhões de fotos e vídeos de menores explorados.

Considerando todas as operações anteriores, as autoridades europeias contabilizam 1.010 vítimas resgatadas e 301 infratores detidos. Parte das imagens é enviada à plataforma “Stop Child Abuse – Trace an Object”, que auxilia na localização de pistas.

A Europol observa que o volume de arquivos CSAM cresceu em relação a 2024, impulsionado pela maior capacidade de armazenamento de smartphones e pelo uso de inteligência artificial por criminosos para gerar conteúdos abusivos.

Com informações de TecMundo