Ministério da Saúde contesta Trump e afirma que paracetamol não provoca autismo

O Ministério da Saúde afirmou, nesta terça-feira, 23 de setembro de 2025, que não há evidências científicas que relacionem o uso de paracetamol durante a gestação ao desenvolvimento de transtorno do espectro autista (TEA). A nota oficial foi publicada um dia depois de o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, declarar que o medicamento poderia aumentar “muito” o risco de autismo.

Na manifestação, a pasta alertou que vincular o paracetamol ao TEA pode gerar pânico, levar gestantes a recusarem tratamento para febre ou dor e desrespeitar pessoas autistas e suas famílias. O texto ressalta que o fármaco foi “amplamente estudado” e possui “evidências robustas” de segurança e eficácia.

O governo brasileiro destacou ainda que o Sistema Único de Saúde (SUS) dispõe de uma linha de cuidado específica para pacientes com TEA, com acolhimento familiar, diagnóstico e intervenção precoce. “O combate à desinformação é um pilar fundamental na construção de um novo SUS capaz de responder aos desafios da atualidade”, diz o comunicado.

Repercussão internacional

No mesmo dia das declarações de Trump, o Colégio Americano de Obstetras e Ginecologistas (ACOG) divulgou nota classificando as falas como “irresponsáveis” e sem respaldo em dados confiáveis. Para Steven J. Fleischman, presidente da entidade, o posicionamento do governo norte-americano “simplifica perigosamente” as múltiplas causas de problemas neurológicos em crianças.

A organização lembrou que o paracetamol é uma das poucas opções seguras para tratar dor e febre em grávidas e que a falta de controle desses sintomas pode trazer riscos mais graves à mãe e ao feto.

No Reino Unido, a Sociedade Nacional do Autismo qualificou o discurso do presidente dos EUA como “alarmista, anticientífico e irresponsável”. Segundo Mel Merritt, chefe de Políticas e Campanhas da entidade, a propagação de mitos coloca mulheres grávidas e crianças em perigo e desvaloriza pessoas autistas.

Diretrizes brasileiras para o TEA

No Brasil, estima-se que 1% da população seja autista, sendo que 71% dos casos apresentam outras deficiências associadas. Para promover autonomia e inclusão social, o Ministério da Saúde atualizou recentemente as diretrizes de cuidado ao TEA, orientando que profissionais da atenção primária apliquem o teste de sinais de autismo em todas as crianças de 16 a 30 meses.

A triagem utiliza o questionário M-Chat, disponível na Caderneta Digital da Criança e no prontuário eletrônico e-SUS. O SUS também oferece o Projeto Terapêutico Singular (PTS), que cria planos de tratamento personalizados elaborados por equipes multiprofissionais em conjunto com as famílias.

Com informações de Olhar Digital