Pequim – Dados coletados pela missão chinesa Chang’e-6 confirmaram a presença de água no solo da Lua e indicaram diferenças na distribuição do recurso de acordo com a profundidade, a localização e a hora do dia.
Resultados da análise
Pesquisadores da Academia Chinesa de Ciências e da Universidade do Havaí examinaram medições realizadas no ponto de pouso da sonda, na Bacia de Aitken, no polo sul e no lado oculto do satélite. Segundo o estudo divulgado na revista Nature Astronomy, o solo raso apresentou cerca de 76 partes por milhão (ppm) de água, enquanto a superfície registrou média de 105 ppm.
O local escolhido para a Chang’e-6 exibiu quase o dobro de água em relação à região visitada pela Chang’e-5, que pousou em 2020 no Oceano das Tempestades, na parte noroeste lunar.
Efeito dos jatos de pouso
No momento da aterrissagem, os jatos do módulo remexeram camadas de solo de milímetros a centímetros, redistribuindo partículas finas. Esse processo permitiu aos cientistas comparar áreas reviradas com zonas intactas, revelando variações de temperatura e de teor de água.
Origem e distribuição da água
Os autores atribuem a formação da água à combinação de ventos solares — que transportam partículas capazes de reagir com minerais lunares — e impactos de meteoritos, responsáveis por “revirar” a superfície. As medições também mostraram que o conteúdo hídrico atinge seu ponto mais baixo ao meio-dia local, sugerindo influência de fatores como tipo de solo, tamanho das partículas e profundidade.
Imagem: CNSA
Próximas etapas
A China planeja prosseguir a investigação com as missões Chang’e-7, em 2026, e Chang’e-8, em 2029. Os objetivos incluem explorar áreas ainda mais ao sul e avaliar o uso de recursos in situ para abastecer a futura Estação Internacional de Pesquisa Lunar, prevista para começar a ser erguida em 2035.
Com informações de Olhar Digital
