Logs de fluxo em nuvem ganham protagonismo na defesa de ambientes corporativos

Empresas de diversos setores, inclusive órgãos governamentais e forças armadas, intensificam a migração para a computação em nuvem em busca de flexibilidade, escalabilidade e redução de custos. Esse movimento impõe um modelo de responsabilidade compartilhada: enquanto o provedor de serviços em nuvem protege a infraestrutura, cabe ao cliente zelar por aplicações e dados hospedados.

Visibilidade de rede

Para cumprir essa tarefa, os logs de fluxo em nuvem tornaram-se aliados estratégicos. Os registros detalham o tráfego que entra e sai de máquinas virtuais, sub-redes e grupos de segurança, permitindo que analistas identifiquem padrões de acesso, atividades anômalas e possíveis ameaças.

Diferentemente de ambientes on-premises — onde sensores capturam pacotes em toda a rede —, na nuvem os próprios hosts ou VPCs geram os logs. Além de servir como histórico, eles auxiliam na distinção entre atividades esperadas, suspeitas ou maliciosas, refinando alertas e relatórios.

Tipos de informação extraída

A coleta contínua permite classificar três grandes conjuntos de observações:

  • Eventos — ações isoladas, benignas ou maliciosas;
  • Padrões — conjuntos recorrentes de eventos, revelando rotinas defensivas ou tentativas de ataque;
  • Tendências — sequências que demonstram mudanças graduais no comportamento da rede.

Desafios em ambientes multi-cloud

AWS, Azure e Google Cloud adotam formatos, intervalos de coleta e métodos de amostragem distintos. As divergências vão da agregação de dados (a cada 1 ou 5 minutos) à forma de representar endereços IP e carimbos de tempo, dificultando a correlação de informações entre fornecedores.

Três estratégias de análise

  1. Análise isolada — cada nuvem é examinada separadamente. Implementação simples, porém sem visão unificada.
  2. Análise normalizada — resultados individuais passam por padronização de campos, permitindo comparações posteriores.
  3. Análise centralizada — transformação de todos os logs em formato único (JSON, CSV) e armazenamento em repositório comum para consultas abrangentes. Exige maior processamento e controle de acesso.

Evolução das práticas

Ferramentas recentes integram logs de fluxo a outras telemetrias, como CloudTrail e S3, ampliando a visibilidade sobre atividades em nuvem. Há também esforço crescente para correlacionar registros a Táticas, Técnicas e Procedimentos do framework MITRE ATT&CK, fortalecendo detecção e resposta.

Políticas de retenção adequadas completam o processo: manter dados indefinidamente eleva custos, mas prazos curtos podem ocultar ataques de longa duração.

Ao entender como coletar, analisar e correlacionar logs de fluxo, organizações ganham visão profunda de suas operações e elevam o nível de proteção contra ameaças.

Com informações de SegInfo