Um novo modelo de formação planetária, publicado nesta segunda-feira (24) na revista Nature Astronomy, propõe que Mercúrio se formou após a colisão de dois protoplanetas de massas parecidas. A hipótese oferece uma alternativa mais provável à teoria tradicional, que previa um impacto entre corpos de tamanhos muito distintos.
Simulações numéricas sustentam a nova hipótese
Para testar o cenário, pesquisadores liderados por Patrick Franco aplicaram o método de hidrodinâmica de partículas suavizadas (SPH), capaz de reproduzir a interação entre gases, líquidos e sólidos submetidos a grandes deformações. As simulações mostraram que um choque entre objetos do mesmo porte poderia remover até 60% do manto original de Mercúrio, mantendo sua massa total e a elevada proporção de metal em relação a silicatos com margem de erro inferior a 5%.
“Descobrimos que é possível reproduzir a massa de Mercúrio e sua razão incomum de metal para silicato com alta precisão”, afirmou Franco. O estudo sugere que o impacto ocorreu em uma fase tardia do nascimento do Sistema Solar, período em que vários corpos rochosos ainda disputavam órbita nas regiões internas próximas ao Sol.
Destino do material ejetado
Segundo a equipe, parte da crosta arrancada por essa colisão provavelmente foi lançada no espaço. A remoção impediria que o material retornasse ao planeta, condição necessária para justificar o tamanho reduzido do manto observável hoje. Os autores levantam a possibilidade de que parte desses detritos tenha sido capturada por outro astro em formação, possivelmente Vênus, hipótese que ainda carece de confirmação.
Até então, a explicação mais aceita indicava que um corpo celeste muito maior teria atingido Mercúrio, processo considerado improvável por simulações dinâmicas, que apontam baixa frequência para choques envolvendo massas tão díspares. O novo trabalho, ao adotar dois protoplanetas semelhantes, contorna essa limitação estatística.
Imagem: Anna Marin N
Os pesquisadores defendem que as próximas missões de observação e estudos de composição planetária podem oferecer evidências adicionais para validar ou refutar o modelo apresentado.
Com informações de Olhar Digital
