A produção de hidrogênio verde, obtido por eletrólise da água com fontes limpas de energia, é apontada como alternativa capaz de suprir um consumo global de energia que deve crescer 56% entre 2010 e 2040. A avaliação é de Vitor Francisco Ferreira, professor da Universidade Federal Fluminense (UFF), em artigo publicado no The Conversation.
Características e vantagens
Ferreira destaca que o hidrogênio é atóxico, versátil e possui alta densidade energética, atributos que o colocam à frente de combustíveis como metano e gasolina. Um quilograma da substância gera cerca de 141.600 kJ, quase três vezes mais que a mesma quantidade de gasolina. Ao ser queimado com oxigênio, produz apenas água, sem liberar carbono.
Segurança e disponibilidade
Apesar de inflamável — fator lembrado pelo acidente do dirigível Hindenburg, em 1937 — o gás se dissipa rapidamente no ar, reduzindo o risco de explosões. Embora escasso na atmosfera, é abundante no subsolo, dissolvido em águas subterrâneas ou presente em rochas, muitas vezes misturado a gases como o metano.
Potencial de descarbonização
Segundo o professor, o hidrogênio verde pode redesenhar a economia energética mundial ao cortar emissões de gases de efeito estufa em setores difíceis de descarbonizar, como transporte pesado, indústria química e produção de fertilizantes. A adoção em larga escala também ajudaria a conter impactos climáticos, como o derretimento de geleiras e o descongelamento do permafrost, além de reduzir doenças ligadas à poluição.
Desafios técnicos e econômicos
O armazenamento do hidrogênio exige tanques de alta pressão e infraestrutura especializada, devido à sua baixa densidade. Outro obstáculo é o custo elevado da eletrólise e a necessidade de grandes volumes de energia renovável. A falta de redes de transporte e de estruturas de estocagem também limita a expansão do combustível.
Imagem: Oselote
Mesmo com esses entraves, Ferreira reforça que o hidrogênio verde é leve, pode ser estocado, é eficiente para gerar eletricidade e calor e não produz emissões diretas de poluentes, mantendo-o no centro das discussões sobre um futuro energético sustentável.
Com informações de Olhar Digital
