Quem: Conrad Rockenhaus, veterano de combate e antigo administrador de nós de saída da rede Tor.
O quê: O réu responderá, em 30 de setembro, a mais uma audiência no processo criminal que se arrasta há uma década e inclui acusações de invasão de sistemas, danos a computadores protegidos e descumprimento de regras de monitoramento eletrônico.
Quando e onde: As acusações remontam a novembro de 2014, no Texas (EUA). O julgamento mais recente está marcado para o fim de setembro de 2025, também nos Estados Unidos.
Origem do caso
Em fevereiro de 2014, Rockenhaus foi contratado como gerente de serviços de desenvolvimento por uma empresa de viagens e lazer. Após sua demissão em 10 de novembro de 2014, o Ministério Público alega que o ex-funcionário utilizou um backdoor criado antes de deixar o cargo para acessar remotamente a infraestrutura da companhia. Segundo os autos, ele desligou uma Unidade Lógica, derrubando um servidor principal e afetando toda a operação.
A empresa, sem saber da autoria do ataque, recontratou Rockenhaus para ajudar na recuperação do sistema. Dias depois, em 21 de novembro, o acusado teria entrado fisicamente no centro de recuperação de desastres da companhia, em Plano (Texas), desconectando servidores e recolocando as tampas dos equipamentos para ocultar a ação.
Os incidentes teriam mantido a empresa fora do ar por mais de 30 horas entre 10 e 24 de novembro de 2014, causando prejuízos superiores a US$ 240 mil em receita e gastos adicionais de cerca de US$ 320 mil na reconstrução dos sistemas.
Condenação e monitoramento
Rockenhaus foi indiciado por “causar intencionalmente danos a computadores protegidos”, crime que prevê até 10 anos de prisão. Em 2019, o tribunal o condenou a 40 meses de custódia, três anos de liberdade supervisionada e multa superior a US$ 560 mil. Antes da sentença, ele permaneceu em liberdade provisória sob o Programa de Restrição e Monitoramento de Computadores, que registrava toda a atividade de seus dispositivos.
Novo conflito com o FBI
De acordo com documentos judiciais e depoimento de sua esposa, Adrienne Rockenhaus, o réu se recusou a colaborar com o FBI na descriptografia de tráfego proveniente de nós de saída do Tor usados por jornalistas e ativistas. Após a negativa, agentes federais o detiveram sem mandado, alegando violação das condições de monitoramento ao tentar instalar o próprio Tor e baixar o protocolo SPICE.
Imagem: Internet
Acusações adicionais durante a liberdade condicional
Registros apontam que, poucas horas após a instalação do software de vigilância em seus aparelhos, Rockenhaus pesquisou sobre a North American Man/Boy Love Association (NAMBLA). O FBI sustenta que essas buscas, somadas ao download do SPICE, indicariam tentativa de contornar o monitoramento.
Em 2022, o ex-operador do Tor obteve liberdade condicional válida até outubro de 2025, sob a exigência de manter o software de rastreamento ativo. A defesa contesta a legalidade das apreensões, citando uso de força física, ameaças e negativa de tratamento médico — Rockenhaus é epiléptico e considerado inválido pelo governo.
Próximos passos
Imagens de segurança divulgadas pela família mostram policiais quebrando janelas e imobilizando o acusado durante a última detenção, em 5 de setembro de 2025. O episódio levou ao adiamento da audiência, agora remarcada para 30 de setembro. Caso seja considerado culpado por novas violações, Rockenhaus pode sofrer sanções adicionais além das penas já imputadas em 2019.
O desfecho do processo depende das deliberações previstas para o fim do mês, quando a corte analisará possíveis violações de condicional e a recusa de cooperação com autoridades federais.
Com informações de TecMundo
