A rápida expansão de centros de dados voltados à inteligência artificial (IA) está alterando o equilíbrio do sistema elétrico dos Estados Unidos. Concessionárias afirmam que a demanda recorde de energia para treinar e operar modelos de IA as leva a planejar novas termelétricas a gás e gasodutos, movimento que pode resultar em mais poluição e contas mais altas para a população.
Antes desse boom, o consumo de eletricidade no país se mantinha praticamente estável havia mais de dez anos. Os novos data centers, porém, consomem até dez vezes mais eletricidade por rack de servidores do que estruturas tradicionais.
Demanda pode estar superestimada
Relatórios citados pelo The Verge indicam que as concessionárias podem ter inflado suas projeções de demanda de três a cinco vezes. O motivo seria o pedido de conexão à rede feito por desenvolvedores de centros de dados antes mesmo de garantirem financiamento ou clientes, gerando uma “corrida” especulativa que pode deixar infraestrutura ociosa e transferir custos para o consumidor.
“Estamos vendo a energia de uma pequena cidade sendo implantada”, afirmou Dan Thompson, analista da S&P Global.
Impacto nas metas de energia limpa
Se todos os projetos de usinas a gás forem adiante, a frota termelétrica norte-americana poderá crescer quase um terço, o que conflita com o objetivo federal de alcançar 100% de eletricidade limpa até 2035. Entre as propostas mais ambiciosas está um novo data center da Meta na Louisiana, que consumiria energia equivalente à de 1,5 milhão de residências e emitiria cerca de 100 milhões de toneladas de CO₂ em 15 anos.
Imagem: urbans
Recomendações para reduzir riscos
Um estudo do Sierra Club em parceria com a organização As You Sow sugere maior transparência por parte dos desenvolvedores, contratos de fornecimento de longo prazo e depósitos não reembolsáveis para limitar projetos especulativos. O relatório também aponta que as empresas de tecnologia podem mitigar impactos investindo em fontes renováveis e em eficiência energética.
“O avanço da IA traz oportunidades importantes, mas exige uma resposta cuidadosa que leve em conta os efeitos de longo prazo”, destacou Kelly Poole, principal autora do levantamento.
Com informações de Olhar Digital
