Foguete nuclear em desenvolvimento promete reduzir pela metade o tempo de viagem a Marte

Pesquisadores da Universidade Estadual de Ohio, nos Estados Unidos, trabalham em um novo motor chamado Centrifugal Nuclear Thermal Rocket (CNTR), capaz de acelerar missões tripuladas e não tripuladas no Sistema Solar. A proposta é usar urânio líquido para aquecer o propelente e gerar impulso, alcançando desempenho até quatro vezes superior ao de foguetes químicos.

Como funciona o CNTR

No conceito do CNTR, o combustível nuclear permanece em estado líquido dentro de um cilindro giratório. Esse arranjo permite que o calor produzido nas reações nucleares seja transferido com mais eficiência ao gás propelente, aumentando significativamente a velocidade de exaustão. De acordo com os idealizadores, o novo desenho dobra a eficiência obtida por motores nucleares com combustível sólido já testados anteriormente.

Impacto nas missões espaciais

Com maior rendimento, o CNTR pode encurtar o trajeto de ida e volta a Marte de aproximadamente 30 meses para cerca de 14 meses. Somente o percurso de ida poderia cair para seis meses, reduzindo a exposição da tripulação à radiação cósmica e aos efeitos da microgravidade. O desempenho extra também abriria espaço para rotas mais longas, como viagens às luas de Júpiter e Saturno, e permitiria o transporte de cargas maiores por sondas robóticas.

Desafios técnicos

Antes de chegar à fase de voo, o projeto precisa superar obstáculos como a estabilidade do reator do lançamento ao desligamento, a contenção de material radioativo durante a operação e a criação de protocolos de segurança para eventuais falhas. A equipe, que conta com apoio da NASA, estima atingir a prontidão de design em aproximadamente cinco anos, quando devem começar os testes de protótipo em laboratório.

Se confirmada a viabilidade, a tecnologia pode tornar a logística espacial mais sustentável ao possibilitar o uso de variados tipos de propelente, inclusive recursos obtidos de asteroides e cometas. Isso reduziria a dependência de combustível lançado da Terra e facilitaria missões de longa duração.

Os motores químicos, responsáveis pelas viagens à Lua e pelas sondas enviadas às bordas do Sistema Solar, exigem grandes quantidades de propelente e oferecem impulso limitado. A sonda New Horizons, por exemplo, levou quase uma década para alcançar Plutão. Ao oferecer maior eficiência, a propulsão nuclear aparece como alternativa para contornar essas limitações e impulsionar uma nova fase da exploração espacial.

Com informações de Olhar Digital