Rótulos de suplementos alimentares com declarações como “promove a saúde do coração” ou “apoia a função cognitiva” levam parte dos consumidores a supor que esses produtos previnem problemas graves, como infarto ou demência, embora não exista comprovação científica para essa eficácia. A conclusão é de uma pesquisa do Centro Médico da Universidade do Texas Southwestern, publicada nesta terça-feira (23 de setembro de 2025) no JAMA Network Open.
Quem participou do levantamento
Os pesquisadores realizaram duas pesquisas online com 4.068 adultos nos Estados Unidos. Na primeira etapa, o grupo avaliou frascos de óleo de peixe reais; na segunda, recebeu informações sobre um suplemento fictício chamado Viadin H.
Impacto das alegações
Entre os voluntários expostos ao rótulo “Promove a Saúde do Coração” no óleo de peixe, 62,5% acreditaram que o produto prevenia ataques cardíacos. No grupo que viu a mesma embalagem sem a alegação, esse índice caiu para 53,9%.
No teste com o suplemento fictício — para o qual não havia opiniões prévias — a diferença foi ainda maior: participantes que leram declarações de benefícios de saúde demonstraram confiança significativamente superior na capacidade do produto de evitar doenças cardíacas ou demência.
Contexto regulatório
Nos Estados Unidos, a Food and Drug Administration (FDA) permite as chamadas “alegações de estrutura/função”, desde que não sugiram prevenção ou tratamento de enfermidades. Contudo, o trabalho indica que muitos consumidores interpretam essas frases exatamente dessa forma.
Imagem: FariO
Recomendações dos autores
O grupo responsável pelo estudo defende que as declarações presentes em rótulos de suplementos passem a exigir comprovação científica e revisão oficial. Embora a pesquisa não tenha avaliado a influência direta sobre as compras, os autores destacam a necessidade de maior transparência para evitar equívocos sobre os benefícios desses produtos.
Com informações de Olhar Digital
