O novo Relatório sobre a Lacuna de Emissões do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (PNUMA) indica que os compromissos climáticos em vigor são insuficientes para evitar impactos severos das mudanças climáticas. Segundo o documento, o cenário atual de emissões coloca o planeta em rota de aquecimento entre 2,3 °C e 2,5 °C até 2100, ligeiramente abaixo da estimativa anterior (2,6 °C a 2,8 °C), mas ainda distante da meta de 1,5 °C acordada em Paris.
A redução dessa projeção decorre, principalmente, de ajustes metodológicos (queda de 0,1 °C) e da iminente saída dos Estados Unidos do Acordo de Paris (outro 0,1 °C), sem refletir avanços expressivos em políticas públicas. Até o momento, 60 países — responsáveis por 63 % das emissões globais — apresentaram novas metas de corte para 2035.
Ultrapassagem de 1,5 °C é considerada inevitável
O relatório afirma que a temperatura média global deve superar 1,5 °C já na próxima década, independentemente das reduções que venham a ser adotadas agora. “Um aumento temporário acima de 1,5 °C é inevitável, começando, no máximo, no início dos anos 2030. Mas isso deve levar a uma intensificação dos esforços, não ao desânimo”, declarou o secretário-geral da ONU, António Guterres.
Emissões continuam em alta
As emissões globais alcançaram 57,7 gigatoneladas de CO₂ equivalente em 2024, alta de 2,3 % em relação ao ano anterior. Para limitar o aquecimento a 1,5 °C, seria necessário reduzir esses números em 40 % até 2030, tomando 2019 como base. A implementação integral das metas atuais levaria a uma queda de apenas 15 % até 2035.
“Os países tiveram três oportunidades para cumprir as promessas do Acordo de Paris e não conseguiram”, afirmou Inger Andersen, diretora-executiva do PNUMA.
Cenário alternativo ainda possível
O documento descreve um caminho alternativo, que envolveria medidas rigorosas a partir de 2025. Nesse cenário, a ultrapassagem seria limitada a 0,3 °C, com retorno a 1,5 °C até 2100. Para isso, seriam necessários cortes de 26 % nas emissões até 2030 e 46 % até 2035, ambos em comparação com 2019.
As tecnologias para uma transição rápida — como energia solar e eólica — já estão disponíveis, mas dependem de vontade política e apoio financeiro mais robusto aos países em desenvolvimento.
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Responsabilidade do G20 e metas nacionais
O G20, responsável por 77 % das emissões mundiais, terá papel decisivo. Até agora, apenas sete integrantes do grupo apresentaram novos objetivos para 2035, enquanto as emissões do bloco subiram 0,7 % em 2024.
No âmbito nacional, o Brasil pretende reduzir as emissões de gases de efeito estufa em 53 % até 2030 e atingir a neutralidade de carbono em 2050.
Próxima parada: COP30 em Belém
As conclusões do relatório chegam dias antes da COP30, marcada para ocorrer em Belém do Pará de 10 a 21 de novembro, conferência que deverá definir os próximos passos para a implementação do Acordo de Paris.
Com informações de Olhar Digital
