O TikTok exibiu anúncios eleitorais a favor de Pablo Marçal (PRTB-SP) durante a campanha municipal de 2024, contrariando as próprias regras da plataforma e normas do Tribunal Superior Eleitoral (TSE). A conclusão é de pesquisa realizada pelo Laboratório de Estudos de Internet e Redes Sociais da Universidade Federal do Rio de Janeiro (NetLab/UFRJ), divulgada em 22 de setembro de 2025.
Principais achados do levantamento
Os pesquisadores analisaram os repositórios de publicidade do TikTok na União Europeia, Suíça e Reino Unido, já que a empresa não disponibiliza ferramenta semelhante no Brasil. O monitoramento identificou:
- 137 anúncios relacionados à eleição para a Prefeitura de São Paulo;
- 28 campanhas contratadas a partir do Brasil e 109 veiculadas em 11 outros países;
- 24 peças com pedido explícito de voto para Marçal, terceiro colocado no pleito;
- alcance mínimo estimado em 2,2 milhões de usuários fora do país, com conteúdo em português e referências culturais brasileiras.
A veiculação fere as diretrizes do TikTok, que proíbem propaganda política paga, e infringe a resolução do TSE que impede esse tipo de anúncio em redes sociais.
Posicionamento dos envolvidos
Em nota, o TikTok afirmou que os materiais foram exibidos no exterior e que o impacto sobre o processo eleitoral foi “praticamente nulo”. A companhia também informou ter removido quase 47 mil tentativas de anúncios políticos entre agosto e outubro de 2024 e disse cumprir ordens judiciais relacionadas ao tema.
Pablo Marçal ironizou o resultado da publicidade, alegando que alcança 2,2 milhões de visualizações no aplicativo em apenas uma hora e sugerindo que os compradores dos anúncios não são seus alunos.
Imagem: Internet
O Tribunal Regional Eleitoral de São Paulo (TRE-SP) não se pronunciou, alegando possível análise futura do caso. O TSE também não comentou. A legislação eleitoral atual não prevê punição específica para a prática, apesar da proibição.
A coordenadora-geral do NetLab, Débora Salles, destacou a falta de transparência sobre a origem dos recursos usados nas campanhas, questionando quem financia e quem recebe as publicidades.
Com informações de TecMundo
