Autoridades da União Europeia e representantes do setor de tecnologia se reuniram na segunda-feira (22) para analisar mudanças na forma como os sites pedem consentimento para cookies. A revisão da e-Privacy Directive, em vigor desde 2009, busca diminuir a quantidade de banners exibidos a cada acesso, sem comprometer a proteção de dados dos usuários.
O que pode mudar
Entre as alternativas debatidas está a criação de exceções mais amplas para cookies considerados “estritamente necessários” ao funcionamento técnico das páginas, além daqueles usados para estatísticas básicas. Nesses casos, a solicitação de consentimento poderia deixar de ser exibida. Já cookies destinados a marketing, publicidade ou compartilhamento com terceiros continuariam exigindo autorização explícita.
A Comissão Europeia também estuda um sistema de preferência centralizada. A ideia é que o internauta defina suas escolhas uma única vez, permitindo que navegadores ou mecanismos de conformidade apliquem automaticamente essas configurações em outros domínios, evitando confirmações repetitivas.
Preocupação com a “fadiga do consentimento”
A proliferação de pop-ups faz muitos usuários clicarem em “aceitar” apenas para remover o aviso. “Consentimento em excesso basicamente mata o consentimento”, observou Peter Craddock, advogado de dados da Keller and Heckman, durante conversa com a POLITICO. Segundo ele, quando a permissão se torna o padrão, as pessoas deixam de analisar o que está sendo solicitado.
Debate antigo e polêmico
Soluções anteriores, como o Privacy Sandbox do Google, enfrentaram resistência de concorrentes, anunciantes e reguladores, que temem concentração de poder nas mãos de poucas empresas. A discussão atual tenta equilibrar usabilidade e privacidade sem favorecer atores específicos.
Imagem: Internet
Próximos passos
As conversas devem prosseguir nos próximos meses. Propostas formais podem ser apresentadas ao longo de 2025, em paralelo à tramitação do Digital Fairness Act, previsto para entrar em discussão no próximo ano e capaz de consolidar mudanças mais abrangentes nas regras de privacidade digital da UE.
Com informações de TecMundo
